sábado, 3 de outubro de 2020

Voudizer.

 O cachorro de D. Dudu, nossa vizinha, chamava-se Voudizer. Um cão de estatura média para pequena, cheio de jinga e muito observador.Todos os dias estava na porta de nossa cozinha na hora do almoço.Ano após ano de sua vida de cachorro. Fiel companheiro de sua dona que se embriagava diariamente e o atacava com seus dissabores. Nesses momentos, Voudizer  se safava e levava na brincadeira, sempre sorrindo e fugia dela quando a coisa ficava séria.Depois retornava. Com ela, ele tinha abrigo e já aprendera, que o efeito do álcool era passageiro. Nos acostumamos tanto com a presença do cachorro, no horário certo, que quando ele, por algum motivo,  não aparecia, procurávamos e lá estava ele, vindo ou deitado debaixo do pé  de araçá. Isto acontecia muito no verão, nos dias muito quentes, quando o sol era incisivo no quintalzinho.Anos se passaram e  Voudizer ficou muito velhinho, seu negro pelo ganhara luzes e um de seus olhinhos parecia ter mudado de brilho.Andava devagar. Depois de um tempo, não veio mais. Morrera.

Maria das Graças Pereira Nunes.

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